• Sabrina Hoffmann

Com coronavirus, negócios despreparados vivem no limbo digital

Vivemos momentos ímpares em nossa existência. Nenhuma crise, guerra ou recessão da era moderna atingiu tanta gente ao mesmo tempo como a pandemia de coronavírus. Estamos no meio de um cenário de turbulência e escassez difícil de se imaginar.


A interrupção da cadeia produtiva e o isolamento abriram caminho para outras situações adversas que atingem milhões de pessoas: ansiedade, angústia, incertezas, medo e, para muitos, uma enorme sensação de abandono. Pessoas preocupadas com a manutenção de seus empregos e o futuro de suas famílias. Um claro sinal de alerta de que o ano será completamente desafiador para a sociedade e a economia.


Eu sigo observando ainda mais atentamente todo este movimento, buscando adaptar não só a minha rotina para o ambiente digital – que neste momento tem sido um caminho assertivo para os negócios – como entender oportunidades que outros mercados possam ter.


O que tenho percebido é que já nos primeiros dias em que a crise chegou ao Brasil, muitas empresas deram sinais de despreparo para enfrentar algo dessa proporção e podem ruir em pouco tempo.


Vejo com certa estranheza que, mesmo em um cenário em que a adaptação é palavra de ordem para a subsistência, algumas empresas ainda resistem ao mundo da tecnologia e o ambiente digital.


São milhares de negócios, pequenos e médios, que estão mergulhados em um verdadeiro limbo digital, em que a perspectiva de concretizar vendas neste período foi reduzida a pó. Não há, nestas empresas, alternativa para que possam se conectar a seus clientes e a situação é caótica.


Por incrível que pareça, muitas dessas empresas fazem parte das que estão autorizadas a abrirem suas portas, pois são de primeira necessidade. São padarias, mercados, restaurantes e farmácias que jamais se atentaram para o uso de soluções digitais na criação do relacionamento com mercado. Sem nenhum dado em mãos sobre o próprio consumidor, ficam às moscas. Nem mesmo um cadastro simples, com nome, e-mail e telefone consta em seus registros.


Sem presença em redes sociais e inoperantes na comunicação digital, estes negócios enfrentam uma dificuldade ainda maior durante a crise. Acompanha também neste momento, além da inexistência digital, a falta de estratégias de logística para entregas: não há iniciativa para a parceria com opções de entrega, sejam elas por moto, bicicleta, patinete ou tradicional carro.


Infelizmente, alguns negócios que poderiam sair com o mínimo de “arranhões” após esta batalha, cambalearão moribundos pela falta de atenção para as evoluções e mudanças que os novos hábitos de consumo já estavam exigindo e agora, necessitam.


*RobertoVilela é especialista nas áreas de gestão e estratégias comerciais. Atua em todo o Brasil com clientes de médio e grande porte realizando palestras, consultoria comercial e treinamentos vivenciais. É autor dos livros Em Busca do Ritmo Perfeito, em que traça um paralelo entre as lições do universo das corridas para a rotina de trabalho, e Caçador de Negócios, com dicas para performances de excelência profissional.

Produz ainda séries de podcasts sobre estes assuntos, disponíveis nas plataformas Spotify e

Itunes. E-books, artigos, áudios e vídeos disponíveis em www.orobertovilela.com.br.

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